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Portugal de novo na mira de Hong Kong

A nova “lei de segurança nacional” extensível a Hong Kong e aprovada recentemente pelo parlamento chinês provocou uma nova vaga de interesse no programa de “Vistos Gold” implementado por Portugal. A informação foi prestada à agência Lusa (e veiculada pelo Notícias ao Minuto) por Kieron Norris, cofundador da Golden Visa Portugal Limited, empresa especializada no serviço de obtenção deste tipo de autorização de residência através da compra de imobiliário.

Norris acrescentou que, se nos últimos meses os pedidos de informação vindos de Hong Kong eram acompanhados de tomadas de decisão adiadas ou demoradas, neste momento já há pessoas a “adiantar cauções” para que a sua empresa avance com o processo.

Preocupação a Ocidente e no território

Segundo o Notícias ao Minuto, a lei proíbe, além de atos de “subversão e rebelião” contra o governo chinês (cuja definição pode estender-se aos protestos que se verificaram em 2019 e 2020), “o estabelecimento de laços com organizações políticas estrangeiras por parte de organizações políticas de Hong Kong” e “a organização de atividades em Hong Kong por parte de organizações políticas estrangeiras”. O jornal britânico “Guardian” acrescenta que “agências nacionais de segurança” poderão trabalhar no território – leia-se, forças de segurança e certamente de contraespionagem.

Num artigo publicado no principal jornal de língua inglesa de Hong Kong, o South China Morning Policy, o autor Song Xiaozhuang avança, como primeiro argumento para rebater as críticas externas à nova lei, que “Hong Kong tem mais autonomia que os estados norte-americanos.” Tendo em conta a natureza expressamente internacional do acordo entre a China e o Reino Unido que regula o estatuto de Hong Kong pelos 50 anos posteriores à devolução do território, em 1997, o simples facto de este argumento ser apresentado (comparando Hong Kong com entidades políticas sem qualquer expressão internacional) mostra que a política de “um país, dois sistemas” está em erosão.

Não por acaso, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson já prometeu apoio e autorizações de residência aos cidadãos de Hong Kong que queiram ir para o Reino Unido, gerando um atrito diplomático com a China. No próprio território, o ambiente está tenso; o parlamento local aprovou uma lei que proíbe o insulto ao hino nacional chinês, mas sob fortes protestos.

Oportunidade para o imobiliário português

Kieron Norris acrescentou à imprensa que os cidadãos honcongueses que contactam a sua empresa estão dispostos a perder 10 a 15% do valor que detêm no país por estarem convencidos que a confiança e o clima económico se vão manter negativos nos próximos anos, dada a insistência chinesa na interferência política. Em Portugal, acrescenta Norris, “poderão ter retorno financeiro nos próximos cinco anos”.

Jason Gillott, também sócio fundador da empresa, acrescentou que Portugal é dos países mais bem preparados nesta área para o mundo pós-Covid19 em geral e para acolher cidadãos investidores de Hong Kong em particular: tem estabilidade política, tem boas relações com a China e os Estados Unidos, mescla qualidade de vida e preços baixos, é aberto – e está a lidar bem com a pandemia.