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Imobiliário resiste à pandemia com expectativas moderadas

O setor imobiliário está a resistir de forma particularmente positiva à recessão económica causada pela pandemia – e a procura por parte de investidores estrangeiros está a ser determinante para esta resistência. Estas são, de acordo com o Jornal de Notícias, as conclusões do Boletim Económico publicado no passado dia 16 de junho, pelo Banco de Portugal.

Ligeira recuperação em maio

Segundo o mesmo artigo do Jornal de Notícias, o databank Confidencial Imobiliário revelou que a venda de casa aumentou 23% em maio relativamente ao mês anterior, refletindo a retoma imediata dos negócios que haviam sido congelados durante o período de Estado de Emergência, entre março e abril (a queda nas vendas havia sido então de 53%). Inclusivamente, os preços tiveram uma ligeiríssima subida de 0,9% em maio, em relação a abril, embora seja de salientar que tal reflete também o período de estagnação que se vinha revelando desde o início do ano.

Interesse internacional mantém-se

Já no final de maio o presidente da AICCOPN (Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas), Manuel Reis Campos, havia anunciado que, apesar dos números pessimistas relativos à evolução macroeconómica em geral, o setor da construção mantinha-se moderadamente confiante. Com efeito, neste último Boletim Económico, o Banco de Portugal prevê uma quebra de 9,5% no PIB para 2020 em relação a 2019, ainda que a recuperação se espere que venha a ser ligeiramente mais rápida do que o inicialmente antecipado. As quebras no turismo esperam-se especialmente gravosas, pese o sucesso que o país está a alcançar na comunicação de uma imagem internacional de segurança, estabilidade e controlo da pandemia.

Reis Campos falou durante um webinar (iniciativa da Ordem dos Engenheiros) e afirmou que o interesse dos investidores internacionais se mantém, sendo para tal importante – precisamente – a imagem do país enquanto destino seguro em tempos de pandemia. O presidente da AICCOPN acrescenta que não prevê uma queda de preços significativa e que ele próprio sempre foi “contra o clima excessivo em torno dos preços, com a especulação que existe em Lisboa e no Porto” e que se verificou ao longo da última década, no pós-Troika.