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Portugal: imobiliário não vai cair tanto como se diz

Ao fim de um mês de quarentena, Portugal está naturalmente nervoso e na expectativa do que o futuro a curto e médio prazo pode trazer. O pessimismo instala-se, tão rapidamente como a pandemia, e ao seu ritmo. Importa, por isso, pensar além dos dias imediatos, e trazer ao de cima a racionalidade, que nos pode orientar por entre as emoções.

O jornal Público, no seu podcast P24, falou com Alexandra Silva, comercial da Conceito Unânime, empresa de mediação e investimentos imobiliários. Em contracorrente, Alexandra Silva alega que o mercado imobiliário não sofrerá perdas tão acentuadas como se tem estado a prever.

“Disparates”

Alexandra Silva apontou ao Público que “não se nota ainda o decréscimo” esperado nos valores de compra e venda e que deverá existir um ajuste de valores. Porém, o mercado não vai cair da forma como se tem falado. Alexandra Silva qualifica mesmo de “disparates” algumas opiniões que já ouviu sobre futuras quedas de preços, na ordem dos 30% ou dos 50%. A profissional acrescenta que o mercado já estava a ajustar-se, reagindo à subida acentuada dos últimos anos, e a tendência mais natural será para essa consolidação estrutural se manter.

O próprio setor imobiliário está mais bem preparado do que durante a Grande Recessão de 2008 e os anos de crise subsequentes, por dois motivos. Primeiro, porque desta vez a crise não está ligada ao setor, nem direta nem indiretamente, não se tendo registado qualquer “bolha” de mercado. Segundo, porque o setor imobiliário está mais profissionalizado do que em 2008.

A imagem internacional do país

Portugal tem passado a imagem de ter a situação mais controlada que outros países, nomeadamente a Itália e a Espanha. A consultora acrescentou que o turismo há-de voltar a subir rapidamente, tanto mais rápido quanto menos afetados formos pela pandemia. Alexandra Silva acrescenta que “Portugal estava na moda e irá continuar a estar” e até alvitra um reforço da imagem externa do país. “Quem sabe se o mercado não irá fugir de outras zonas mais afetadas e deslocar-se um pouco mais para Portugal. Porque não?”