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Via Algarviana: que modelo de financiamento?

A Via Algarviana, oficialmente Grande Rota (GR) 13, é uma rota pedestre que une Alcoutim ao Cabo de São Vicente, numa extensão de 300 km, atravessando 11 concelhos do Algarve. Cruzando a Serra e o Barrocal, a via vem-se constituindo, desde há cerca de 10 anos, como um dos grandes atrativos do Algarve em termos de Turismo de Natureza. Os turistas podem conjugar a praia com as caminhadas na serra ou até vir exclusivamente para conhecer o interior do Algarve, especialmente em épocas mais amenas como o outono ou a primavera.

O financiamento da Via Algarviana foi o tema que juntou em Alcoutim, na semana passada, seis autarcas da região, uma representante da Almargem, o presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA) e um representante do Turismo de Portugal. O presidente da RTA, João Fernandes, sintetizou o problema: “de cada vez que se muda de quadro comunitário, temos um problema” para financiar o projeto. João Fernandes salienta que a Almargem tem demonstrado capacidade para gerir a rota pedestre, desde que conte com os necessários apoios, mas que o modelo atual, assente principalmente nos contributos das autarquias, é frágil.

Um eixo fundamental para o interior

Empresários e autarcas ao nível de freguesia, presentes no público, salientaram a importância da Via Algarviana para o combate ao despovoamento do interior algarvio. De acordo com o Sul Informação, só a ProActiveTur, empresa de turismo de natureza, trouxe 1600 turistas à região nos últimos dois anos, faturando um milhão de euros.

João Ministro, fundador da ProActiveTur, apontou uma fragilidade da Via: a elevada idade média (70 anos) dos gestores de unidades de alojamento local, pelo menos na metade oriental do percurso, entre Salir e Alcoutim.

Será a taxa turística a solução?

Em jeito de desafio, João Ministro perguntou aos oradores se a taxa turística, a cobrar pelos concelhos, não seria uma solução para dar mais sustentabilidade ao financiamento da Via Algarviana. O princípio da subsidiariedade, com o conjunto das autarquias a contribuir para um projeto estruturante para o interior, poderá ser invocado.

Em todo o caso, uma solução definitiva só poderá ser tomada em sede de reunião da Associação de Municípios do Algarve (AMAL).