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Portugal: o porto seguro de Hong Kong?

Falámos dos belgas e agora é a vez dos honcongueses, um termo pouco utilizado mas existente na língua portuguesa para nos referirmos aos habitantes de Hong Kong. Um artigo recente no South China Morning Post, o maior jornal desta antiga colónia britânica, dá conta de uma nova tendência. Portugal pode tornar-se o novo “porto de abrigo” para uma diáspora de habitantes de Hong Kong que queiram fugir à instabilidade política e à crescente influência chinesa.

O artigo é, obviamente, coincidente com as manifestações que têm assolado esta região administrativa do sul da China. Os protestos começaram a propósito da aprovação de uma lei que pretendia facilitar as extradições de Hong Kong para a China, representando um claro recuo na autonomia do território. Alguns habitantes veem esta medida como sinal de uma tendência de domínio crescente do governo da China sobre o seu território autónomo.

A análise da política internacional das últimas décadas leva a pensar que a autonomia de Hong Kong venha a ser progressivamente limitada. A China leva muito a sério a sua imagem internacional de soberania e independência, depois de cerca de um século de diversas intervenções estrangeiras. De resto, as mais recentes declarações do governo chinês (“quem brinca com o fogo, morrerá pelo fogo”) são um aviso sério de que as manifestações não serão toleradas.

Uma questão de segurança e de política

O artigo do South China Morning Post entrevista alguns residentes, que não se identificam na totalidade por questões de segurança. Um dos entrevistados afirma não querer criar uma futura família no território; outro, de 57 anos, tem dois filhos a viver no Reino Unido e considera que Portugal seria uma alternativa económica para reunir a família. Um terceiro tem dois filhos de 17 e 24 anos e acredita que seria preferível para ambos terem uma nacionalidade europeia e migrarem para a Europa em caso de necessidade.

A imagem que todos têm de Portugal é aquela que o país tem no mundo, no momento presente: um país seguro, económico, politicamente estável e situado na Europa Ocidental.

Os honcongueses que ponderam mudar-se acrescentam uma outra vantagem, que noutros países se dá por adquirida: o facto de Portugal ser uma democracia, assegurando as liberdades típicas das democracias ocidentais. Em última análise, será que isso que os honcongueses poderão procurar no nosso país.

Outra oportunidade para Portugal

Muitos dos interessados em mudar-se têm ligações familiares ou de negócios a Macau, o que os deixa mais abertos à opção portuguesa. O programa de Vistos Gold também ajuda a chamar a atenção.

A soberania de Hong Kong foi devolvida pelo Reino Unido à China em 1997, estabelecendo-se um período de 50 anos em que o território manteria ampla autonomia. Muitos habitantes sentem que este estatuto não está a ser respeitado, o que já trouxe para as ruas cerca de 4 milhões de pessoas. Hong Kong tem cerca de 7,3 milhões de habitantes, numa que área equivale sensivelmente aos concelhos de Faro, Loulé e Albufeira combinados – um dos territórios mais densamente povoados do mundo.

O South China Morning Post falou ainda com John Hu, da John Hu Migration Consulting, uma agência criada para aconselhar cidadãos de Hong Kong que queiram migrar. Sem surpresas, Hu descreveu as razões que levam os seus potenciais clientes a bater-lhe à porta. A promessa de uma democracia ocidental segura, económica, soalheira e sem um “sistema de crédito social” pode revelar-se mais um mercado inesperado para o turismo e o imobiliário portugueses.