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Mercado internacional - Portugal

Nexity regressa a Portugal em tempos de pandemia

A promotora imobiliária Nexity saiu de Portugal por ocasião de uma grave crise internacional e está agora de regresso, durante uma nova crise. O percurso desta promotora francesa pode vir a ser considerado um “estudo de caso” sobre as dinâmicas do mercado imobiliário português relativamente à Grande Recessão de 2008 e aos efeitos da pandemia de Covid-19.

Enquanto a Recessão teve a sua génese no sistema financeiro e pôs a nu o efeito de bolha de que o mercado imobiliário estava a sofrer (em Portugal e em diversos outros países), a crise criada pela pandemia é totalmente externa à superestrutura económica. O imobiliário acabará por ser considerado como uma reserva estratégia de valor pelo mercado, e os players do setor estão atentos a esta realidade.

“O mercado está cá e, portanto, o desafio mantém-se”

De acordo com o Expresso, a Nexity vai investir cerca de 70 milhões de euros em habitação destinada à classe média, com projetos nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. Em ambos os casos situar-se-ão fora da cidade: serão no Dafundo e em Leça da Palmeira, respetivamente. Esta será uma primeira fase, a que se seguirão outras iniciativas. “O mercado está cá e, portanto, o desafio mantém-se”, declarou Fernando Vasco Costa, diretor-geral da empresa em Portugal, na conferência virtual de apresentação dos projetos, segundo o Idealista.

Segundo Fernando Vasco Costa, a Nexity construiu o Amoreiras Plaza em Lisboa mas em 2008 retirou-se ao enfrentar problemas de licenciamento e uma perspetiva negativa a médio prazo. Neste momento, o cenário é inverso. Em 2018 a promotora detetou “falta de casas para a classe média” (um problema, de resto, bastante abordado na comunicação social) e também as condições de liquidez de mercado e estabilidade que permitiram avançar para o investimento. Ao todo serão 108 apartamentos em Leça e 61 no Dafundo.

A Nexity tem 70% do capital na Bolsa de Valores de Paris e está também presente na Bélgica, Itália, Alemanha e Polónia.