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Mercado imobiliário: risco controlado

Mercado imobiliário: risco controlado

O Comité Europeu do Risco Sistémico (CERS) publicou recentemente um relatório sobre os riscos associados atualmente ao mercado imobiliário em trinta países europeus. A cinco desses países foi atribuído um alerta de “risco elevado”; a treze, o de risco médio; e aos restantes doze, risco reduzido. O mercado imobiliário português foi considerado como sendo de risco médio.

Banco de Portugal: os “travões” de 2018

O relatório foi divulgado à comunicação social portuguesa pelo Banco de Portugal no passado dia 23 de setembro (segunda-feira). De acordo com o CERS, as medidas restritivas que o próprio Banco de Portugal tomou em 2018, no sentido de limitar a concessão de empréstimos à habitação, foi considerada como positiva – uma medida “macroprudencial”, no jargão técnico, ou seja, de prudência ao nível macroeconómico. A “espiral entre os preços das casas e o novo crédito à habitação” pôde assim ser limitada. De qualquer, o elevado endividamento continua a ser “um risco para as famílias”.

Dinâmica positiva

O país tem ainda bem fresca a memória do “crash” imobiliário do final da década passada e da euforia que o antecedeu, desde a adesão de Portugal à Zona Euro. E principalmente da fragilidade macroeconómica, e do risco a que o país se expôs, em caso de dificuldades internacionais, como se viu durante a Grande Recessão e a crise das dívidas soberanas.

O panorama da economia europeia e mundial, no momento atual, é de alguma circunspeção, dados os efeitos imprevisíveis de acontecimentos como o Brexit ou a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. O Banco de Portugal pretendeu, portanto, tentar evitar uma repetição “tout-court” do cenário da década passada. As consequências têm sido positivas para o setor imobiliário como um todo, ao evitar uma subida generalizada de preços e a criação de uma nova bolha.

Para o imobiliário de segunda residência, os efeitos são positivos, também, uma vez que a subida de preços acontece de forma gradual e “orgânica”, motivada pela procura externa e pela valorização internacional do país, e não por “loucuras” do mercado.

Sobre o CERS

vO Comité Europeu do Risco Sistémico é um dos organismos integrantes do Sistema Europeu de Supervisão Financeira (SESF). Este sistema, fundamentado no Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia (um dos dois tratados base que regem a União Europeia), tem como função “assegurar uma supervisão financeira coerente e adequada em toda a União Europeia”. Embora não sendo parte do Banco Central Europeu (BCE), o CERS está intimamente ligado a esta instituição. É o BCE que assegura o seu pessoal; o CERS funciona na sede do BCE, em Frankfurt (Alemanha); e o presidente do BCE é também o presidente do CERS.