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Imobiliário: Banco de Portugal aconselha cautela

O Banco de Portugal (BdP) publicou no passado dia 4 de dezembro mais um relatório de Estabilidade Financeira, no qual volta a deixar alguns alertas à banca nacional, principalmente no que concerne ao crédito imobiliário e à habitação. O alerta vem na sequência de outros avisos semelhantes no último par de anos.

Abrandamento

A instituição de supervisão alerta que, embora o número de transações de imóveis tenha abrandado, o preço médio dos imóveis continua a subir, embora também abrandando um pouco em relação aos trimestres. De acordo com a TSF, e citando o relatório do BdP, “no segundo trimestre de 2019, os preços da habitação apresentaram uma taxa de variação homóloga de 10,1%, em termos nominais”, e o mercado apresenta sinais de sobrevalorização.

O peso do investimento estrangeiro

Em termos de imobiliário, os investidores estrangeiros são, cada vez mais , aqueles que dão mais garantias à banca portuguesa. Segundo o relatório do BdP, o valor das propriedades compradas por estrangeiros aumentou 22% em 2018, enquanto o mesmo valor relativo a investidores portugueses aumentou apenas 5,6%.

O mercado nacional parece estar a atingir o ponto de saturação, estando a banca a atingir o ponto em que, para expandir o crédito, deverá correr riscos que não se recomendam face à instabilidade geopolítica internacional (guerra comercial Estados Unidos-China, Brexit, etc.).

Embora parte da valorização dos imóveis portugueses se tenha devido ao investimento externo, tal verifica-se principalmente em zonas muito específicas, principalmente nos centros do Porto e de Lisboa e no Algarve. No resto do país, a valorização prende-se com a estabilização económica conseguida no período pós-Troika, associada à progressiva rarefação da oferta (uma vez que a construção civil, por óbvios motivos de constrangimento financeiro e prudência empresarial, não atingiu os índices que havia atingido nas duas décadas anteriores à Grande Recessão de 2008).

À medida que a banca começar a “pisar o travão” do crédito à habitação, seguindo as recomendações do BdP, o imobiliário sentirá imediatamente as consequências. A orientação para os mercados internacionais fará a diferença para alcançar o sucesso.