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Covid-19: que influência no imobiliário?

Vimos no último artigo que, como lembrou Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo Português, o setor do turismo será o primeiro a sofrer os efeitos da crise mas também o primeiro a recuperar dela. O imobiliário também estará um pouco apreensivo, face a esta situação inesperada e, acima de tudo, de efeitos imprevisíveis. O portal de imobiliário Idealista contactou diversos responsáveis do setor em Portugal para sondar as suas perspetivas.

Luís Lima: APEMIP mais pessimista

O presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), Luís Lima, assumiu a perspetiva um pouco mais pessimista que lhe é habitual – tendo em conta o papel defensivo e de “alerta às autoridades” que representa, nomeadamente para alertar o governo, em cada momento, para os perigos que o setor imobiliário pode atravessar. Lima afirmou que espera uma quebra nos negócios e uma influência negativa do abrandamento do turismo no setor imobiliário – nomeadamente, uma diminuição da procura vinda do estrangeiro.

Francisco Bacelar: ASMIP mais otimista

Já o presidente da Associação dos Mediadores do Imobiliário de Portugal (ASMIP) mostra-se genericamente mais otimista. Primeiro, lembra que o setor de arrendamento deverá manter-se em forte procura, especialmente no segmento de preços mais baixos. Por outro lado, espera-se que os negócios, mais do que cancelados, sejam “adiados durante umas semanas”. Bacelar aponta que os sites das empresas de mediação já estão a receber mais visitas, o que deverá resultar em mais contactos e concretização de negócios quando a crise sanitária abrandar. Afinal, grande parte da prospeção, da recolha de informação e dos contactos já é feita via internet (desde, pelo menos, o final da década de 2000).

Francisco Bacelar acrescenta que o cenário seria mais desfavorável se os níveis de contágio atingissem o que se viu em Itália, mas as medidas de contenção decretadas pelas autoridades (e seguidas pela sociedade civil) poderão fazer com que nem sequer se chegue à fase de mitigação. Com efeito, o governo já decretou o encerramento das escolas, a partir de segunda-feira (16 de março).

Espera-se, de qualquer forma, a intervenção quer do governo quer, de forma indireta, das autoridades de regulação europeias (em especial do Banco Central Europeu) de forma a minorar os riscos para as empresas e a economia no seu todo.