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André Jordan: “o turismo é imprescindível”

Há quem diga que André Jordan não é o pai do turismo português porque antes dele já existia turismo de qualidade no Estoril e na Madeira. Talvez não seja o “pai” no sentido em que as novas tendências de turismo de qualidade já vinham a afirmar-se a nível internacional na década de 60 e acabariam por cá chegar. Mas o facto é que a “sua” Quinta do Lago criou um novo padrão que não existia no nosso país – nem na Madeira, nem no Estoril. E não se trata só do imobiliário.

Entrevista ao Dinheiro Vivo

Por esse motivo, é de salientar a mais recente entrevista de André Jordan, ao Dinheiro Vivo, a propósito do lançamento de um livro de memórias. Aos 85 anos, o empresário brasileiro de origem polaca continua a remar contra a corrente.

O “complexo”

Jordan não compreende o “complexo” que os portugueses têm em relação ao turismo; em sua opinião, o país entende que a atividade não é nobre. No seu ponto de vista, o turismo foi (e continuará a ser?) uma forma de a economia portuguesa entrar diretamente na era dos serviços sem passar pela industrialização. Esta maneira de pensar, em sua opinião, reflete-se nas críticas ao alegado excesso de turistas que se verifica em Lisboa. Jordan compara a situação com a de Nova Iorque, que recebe milhões de pessoas anualmente em Manhattan e onde não há queixas do mesmo género.

“Base de um estilo de vida e de negócios”

O octogenário empresário vê o turismo em Portugal como a base de um estilo de vida, sendo contrário à “publicidade” do país pela internet, “porque a internet vende preços”. E o turismo português deve apostar sempre na qualidade, e não na quantidade, porque os seus fatores críticos de sucesso são dos melhores a nível mundial. Em suma, “o turismo deve ser encarado como uma atividade económica imprescindível”. E relembra que ainda falta marketing, dando o exemplo da comparação do champanhe francês com o vinho do Porto (com o primeiro a ter a projeção e o nome que faltam, ainda, ao segundo).

Jordan lembra ainda que Portugal não é o mesmo país que era há 50 anos, mas que é necessário “transformar a burocracia num instrumento útil ao desenvolvimento económico”.