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Monchique Fires

O fogo de Monchique

O fogo de Monchique

Esperava-se que o fogo da serra de Monchique fosse controlado à medida que a pequena onda de calor do primeiro fim de semana de agosto desaparecesse, mas tal não aconteceu. O acontecimento ficará na memória não só dos habitantes da região mas também de todos os turistas que, de férias no Algarve ocidental, tiveram de conviver durante vários dias com a espessa nuvem de fumo que escurecia o céu. É difícil decidir se são mais impressionantes as fotos do desastre propriamente dito, as tiradas nas praias algarvias ou a foto captada pelo astronauta a bordo da Estação Especial Internacional.

Lições de 2017 aprendidas

Será a extensão deste fogo um sinal de que as lições dos acontecimentos de 2017 não foram devidamente aprendidas? Talvez, pelo menos no que toca à coordenação dos esforços dos bombeiros. Por outro lado, as autoridades deram prioridade máxima ao esforço de evitar novas mortes, como ficou patente nas evacuações atempadas e urgentes levadas a cabo pela GNR.

A região de Monchique já estava identificada como a zona de maior risco de incêndio em todo o país, e neste sentido o que aconteceu era quase esperado – e muito à imagem de um incêndio semelhante que aconteceu na zona em 2003. Será necessário que a sociedade portuguesa interiorize a gestão da floresta como uma tema premente e prioritário, e cujos frutos levarão vários anos a concretizar-se.

Imagem externa

Monchique

Além de todas as outras facetas de que este problema se reveste (a possível perda de vidas, a questão ambiental, patrimonial, destruição económica, etc.), a questão da imagem de Portugal no exterior terá sempre de ser considerada. Não é possível esconder nem maquilhar os efeitos de uma situação deste género. Ainda que o Algarve não perca diretamente o seu apelo para os investidores em função de uma situação como a de Monchique, a médio prazo fica a ideia de que Portugal é um país vulnerável a fogos. As imagens do fogo e da terra calcinada ficam mais na memória do que a diferença entre as florestas de eucaliptos e os pomares de alfarrobeiras. Este é só um mais um fator a relembrar às autoridades que o tempo urge.