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Fórmula 1: “balão de oxigénio” para o Algarve

A presidente da Câmara Municipal de Portimão, Isilda Gomes, afirmou em entrevista à Rádio Renascença que a realização do Grande Prémio de Fórmula 1 no circuito de Portimão será um “balão de oxigénio” para a economia algarvia, duramente castigada pela pandemia de Covid-19.

O governo autorizou a presença de 27 500 espectadores nas bancadas do autódromo; um “balde de água fria” em relação à lotação inicialmente esperada, mas quase inevitável face ao crescimento dos números da pandemia nas últimas semanas (em Portugal e também no resto da Europa). Ainda assim, a autarca mostra-se satisfeita, pois há que ter em conta “os acompanhantes sem bilhete” e “a promoção da região”, com efeitos a longo prazo. 

Isilda Gomes acrescentou ainda que acredita que a corrida seja um tal sucesso que as próprias equipas de Fórmula 1 solicitarão o regresso a Portimão nos próximos anos.

Investimento público

A Rádio Renascença entrevistou igualmente Ni Amorim, ex-piloto e agora presidente da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK), que refere serem necessários dois fatores para que a Fórmula 1 se mantenha em Portugal nos próximos anos: um evento bem sucedido neste fim de semana e investimento público no regresso da corrida.

Estando mais próximo da realidade dos Grandes Prémios que a autarca portimonense, o presidente da FPAK considera que só com apoio do governo será possível continuar a ter a corrida algarvia no calendário da Fórmula 1. Há vários anos que o modelo de negócio da Fórmula 1 se baseia, em parte, no “fee” pago pelos autódromos para poderem receber uma corrida. Isso explica as dificuldades não só de Portugal mas também de outros países europeus, como a França e a Alemanha, em receber uma corrida. Inversamente, países como as petromonarquias do Médio Oriente, o Azerbaijão ou a Rússia têm assegurado a Fórmula 1 graças ao investimento dos respetivos governos.

Ni Amorim conclui afirmando que a Fórmula 1 é realmente cara mas que se trata de uma relação de custo-benefício que deve ser analisada, e que só poderá sê-lo avaliando os efeitos, em termos de publicidade e exposição internacional do Algarve, após o Grande Prémio.